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A origem
do chocolate remonta a 1.500 A.C., segundo registram estudos que demonstram
que a civilização Olmeca foi a primeira a aproveitar o fruto do cacaueiro.
Eles habitavam as terras baixas do Golfo do México.
Evidências arqueológicas comprovam que pouco depois os Maias, Toltecas,
e Aztecas também já utilizavam o cacau, e consideravam-no o alimento dos
Deuses.
Nesta época o cacau era usado como uma bebida, geralmente acrescida de
algum condimento.
Era ingerida pelos sacerdotes em rituais religiosos.
Houve tempo também, na mesma época, em que as sementes de cacau, de tão
valorizadas, viraram moeda corrente. Eram usadas como meio de troca a
referencial de valor.
Historicamente, foi Cristovam Colombo quem descobriu o cacau para a Europa,
quando de sua quarta viagem ao Novo Mundo, por volta de 1502. |
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Teria levado sementes de cacau para o rei Fernando II, sementes estas
que passaram quase desapercebidas no meio de todas as outras riquezas
que trouxe.
Em 1519, Hernando Cortez descobriu o cacau durante suas conquistas no
México, mas os espanhóis não prezavam muito a bebida, achando-a fria,
gordurosa e amarga. Porém logo perceberam o valor da semente como referencial
de valor e moeda de troca.
Em nome da coroa Espanhola começou plantações de cacau no México onde
a
"moeda" seria cultivada. Em 1528, Cortez trouxe de volta para a Espanha
cacau e as ferramentas necessárias para seu preparo.
Com o passar do tempo, os espanhóis começaram a agregar açúcar e outros
adoçantes à bebida, tornando-a menos amarga e mais palatável, portanto,
ao gosto Europeu. Estes passaram a tomar o líquido quente, e o chocolate
quente começava cada vez mais a cair no gosto da elite espanhola.
Também nesta época o cacau começou a ser feito em tabletes, que depois
eram mais facilmente transformados em bebida. Ao longo dos próximos 150
anos, a novidade foi se espalhando pelo resto da Europa, e seu uso foi
sendo difundido na França, Inglaterra, Alemanha, Itália, etc.
Vários ingredientes continuavam sendo agregados ao chocolate liquido:
leite, vinho, cerveja, açúcar, e especiarias.
Foi somente em 1755 que o cacau apareceu nos Estados Unidos.
Em 1795 os ingleses começaram a usar uma máquina a vapor para esmagar
os grãos de cacau, e este invento deu início à fabricação de chocolate
em maior escala.
Mas a verdadeira revolução do chocolate aconteceu cerca de 30 anos depois,
quando os holandeses desenvolveram uma prensa hidráulica que pela primeira
vez permitia a extração, de um lado, a manteiga de cacau, a do outro a
torta, ou massa, de cacau. Esta última era pulverizada para se transformar
em pó de cacau, que quando acrescido de sais alcalinos se tornava facilmente
dissolúvel em água.
Daí ao desenvolvimento de bebidas achocolatadas foi um passo rápido, e
em seqüência a mistura com manteiga de cacau fez aparecer os primeiros
tabletes de chocolate mais ou menos como os conhecemos hoje.
Em pouco tempo a Espanha, que tinha praticamente o monopólio do cacau,
perdeu sua hegemonia para a Inglaterra, França, Holanda, etc.
THEOBROMA CACAU
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O cacaueiro ("Theobroma cacau" theobroma, significando
em grego, alimento dos deuses) é uma árvore equatorial e tropical (encontra-se
numa faixa geográfica entre 20" latitude sul a 20" latitude norte)
que prefere altitudes entre 400 a 700 metros do nível do mar, e que se
desenvolve melhor a sombra de árvores maiores.
Precisa de chuvas regulares,
solo profundo e fértil. |
É uma
árvore frágil, delicada, sensível a extremos climáticos, muito vulnerável
à pragas a fungos. Sua altura atinge entre 5 e 10 metros na maturidade
e os primeiros frutos podem ser colhidos mais ou menos 2 a 3 anos após
o plantio.
A árvore se torna adulta aos 10 anos, e pode, em circunstâncias excepcionais,
produzir até os 50 anos de idade. As flores pequenas brotam nos galhos
e no tronco da árvore e precisam de 5 a 7 meses para se transformarem em
frutos maduros. O tamanho da fruta madura varia entre 15 a 30 centímetros
de comprimento por 8 a 13 de largura e ela tem formato ovalado.
Cada fruto contém entre 20 a 40 sementes envoltas numa polpa macia de
cor marrom embranquecida.
Quando da safra, o cacau é colhido, aberto, as sementes são separadas,
fermentadas e secadas.
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A fruta deve ser tratada imediatamente após sua colheita, para evitar
o apodrecimento. Vinte a quatro horas após a abertura da fruta, começa
o processo de fermentação, cujo objetivo é livrar a semente de sua mucilagem,
destruir o embrião (para evitar a germinação da semente) e provocar reações
químicas e enzimáticas na pane interna das sementes.
O processo de fermentação é feito em barcaças de madeira apropriadas e
dura entre 3 e 8 dias. É uma etapa muito importante para se obter uma
amêndoa de qualidade, desenvolvendo sabor e aroma. Após a fermentação,
o cacau ainda contém água demais, cerca de 60% e esta água precisa
ser removida.
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Na fase de secagem o cacau é espalhado ao sol e mexido regularmente
para manter as sementes arejadas e não permitir a formação de bolor. A
secagem natural, ao sol, propicia um cacau de qualidade.
É totalmente desaconselhável (inclusive inaceitável ) a
secagem artificial, tal como calor do fogo a lenha, pois deixa a amêndoa
com cheiro de fumaça.
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Uma vez seco, o cacau é ensacado em sacas de 60 quilos cada e despachado
para armazéns ou fábricas processadoras.
PROCESSAMENTO DE AMÊNDOAS

Quando chegam às fábricas processadoras
de cacau, as amêndoas passam por um rigoroso controle de qualidade.
A operação de limpeza começa com a eliminação de impurezas (1.0 a 1.5%
do peso total), tais como fiapos das sacas, pedaços de galho, pedrinhas,
areia, etc.
Isto é feito mecanicamente através de um sistema de escovas e peneiras.
Limpas, as sementes são encaminhadas para a torrefação, cujo objetivo
principal é o desenvolvimento do aroma. Também facilita a descascagem.
Este processo é totalmente automatizado e no fim dele as amêndoas passam
por um resfriamento rápido para evitar a queima interna das sementes.
No próximo estágio as amêndoas passam pela descascagem, onde as cascas
são retiradas e eliminadas. E a sobra, finalmente, o NIB, ou seja, o cerne
da semente limpo. Em seqüência os nibs são moídos quando passam por rolos
de diversos tamanhos até se obter uma massa de partículas finas (20 a
30 microns) chamada de pasta, massa, ou licor de cacau. Essa massa pode
ter dois destinos diferentes: a fabricação de chocolate em pó ou a produção
de chocolate.
No caso do chocolate em pó, a massa passa por uma prensagem hidráulica , que resulta, de um lado a manteiga de cacau, e de outro
uma torta de cacau.
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A manteiga de cacau, considerada o subproduto mais nobre (e
caro) da prensagem, tem uma tonalidade amarelo-claro, e possui
um odor comparável ao chocolate, com a vantagem de não se tornar
rançoso e ter boas características de conservação.
Tem também a qualidade organoléptica de passar do estado
líquido ao estado sólido sem alterações na sua natureza física. |
A torta passa por mais um processo de
moagem para se obter um pó fino de variadas granulações. Este pó pode
ser alcalinizado para torná-lo mais solúvel.
CHOCOLATE
Na fabricação do chocolate é usada a massa de cacau,
açúcar, manteiga de cacau, e possivelmente, leite.
Todo fabricante tem, para cada um de seus produtos, uma formulação própria,
onde a proporção dos ingredientes varia conforme o produto final.
A fabricação de chocolate é composta de cinco etapas básicas: malaxação,
refino, conching, tempera, e modelagem.
Na malaxação a massa de cacau é misturada com as outras matérias
primas em uma masseira. A mistura é malaxada até obter-se uma massa
homogênea.
No refino essa massa passa por moedores que reduzem as partículas da mesma
a 15/20 microns.
Depois vem o conching, uma operação crucial pois dá ao chocolate
toda sua firmeza e suntuosidade. É uma operação demorada: pode
durar de 12 horas até 5 dias. Na próxima fase, a tempera, o chocolate
é temperado para passar do estado líquido para o estado sólido, através
de um processo de cristalização.
A última etapa é a modelagem, onde o chocolate é moldado
e passa por um túnel de refrigeração (10/12 graus centígrados). Na saída
do túnel o chocolate é desmoldado. Todo este processo é altamente
delicado - qualquer descuido, principalmente na fase de conching e tempera
pode ocasionar a perda de um lote.
O MERCADO DE CACAU
Nos últimos
50 anos a produção mundial de amêndoas de cacau passou de aproximadamente
800.000 toneladas métricas por ano para 3.000.000 de toneladas métricas
por ano.
Atualmente a maior parte da produção provém do Oeste da África,
onde quatro países (Costa do Marfim, Gana, Camarões e Nigéria) produzem
65% do cacau no mundo. Destacam-se também a Indonésia e a Malásia. O Brasil,
que já foi o maior produtor do mundo (40%), hoje produz apenas 4% do total.
Hoje oito países respondem por 91 % da produção mundial de amêndoas. Os
maiores importadores de cacau são os Estados Unidos, Holanda, Alemanha,
Inglaterra e França. Respondem juntos por mais de 60% das importações
mundiais. Em termos de consumo per capita destacam-se os países da CEE
e os Estados Unidos.
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