Pequenos gestos,
muito trabalho e toda uma legião de produtores beneficiados. Bom para o Brasil,
para as empresas processadoras do cacau e para o desenvolvimento local
Em uma
região onde existe um grande potencial para produção de cacau no Brasil e não há
investimentos por parte do governo, produtores locais, como o Claudio Coimbra e
filhos, abrem as porteiras de suas fazendas, que hoje servem como modelo para
muitos produtores, com o intuito de orientar, ensinar e consequentemente
promover o desenvolvimento econômico e sustentável das lavouras cacaueiras de
Rondônia. O 4.º Encontro sobre a Lavoura do Cacau em Rondônia, destinado aos
produtores interessados em técnicas para melhoria e aprimoramento de suas
lavouras, ocorreu no dia 16 de abril 2011 e contou com a presença de mais de 350
produtores de toda a região cacaueira local.
A Indeca,
uma das principais fornecedoras de matéria-prima para fabricação de chocolates e
derivados de cacau do País, tem uma longa história com Rondônia. Kátia Menezes,
compradora e analista do mercado de cacau da Indeca, lembra que a empresa
participou desde o início da implantação da atividade com os produtores locais.
“Contribuímos no passado com sementes, plantas, atividades comerciais, secagem e
processamento de cacau em toda a região. Como não havia recursos e nem incentivo
por parte do governo, nossa ajuda funcionava como uma alternativa de
desenvolvimento econômico”, comenta. Há mais de 40 anos e, nas cidades de Jaru e
Ariquemes, a Indeca foi importante compradora e beneficiadora do cacau no
estado. “Nunca saímos de Rondônia, sempre acompanhamos as lutas de pessoas como
a de Claudio Coimbra, proprietário das fazendas onde o trabalho de recuperação
de produtividade é aplicado, e também proprietário da Casa do Cacau em Jaru,
precursor das lavouras e de todo o projeto de melhorias do cacau na região,
processos de qualidade, conscientização e escola para pequenos produtores.
Novamente, estamos prontos a participar diretamente dessa retomada do
crescimento com sustentabilidade e foco no futuro. Acreditamos na importância e
seriedade desse trabalho realizado na comunidade local”, afirma Kátia.
O 4.º
Encontro sobre a Lavoura do Cacau em Rondônia teve como objetivo principal
apresentar as metodologias e técnicas agronômicas aplicadas para a recuperação
da lavoura e apresentar o “Modelo Técnico”. Além disso, os participantes também
puderam ver os resultados de ganhos financeiros e de produtividade em comparação
entre duas lavouras (Fazenda do Vale do Rio Escondido e Fazenda do Escondido),
antes e depois dos investimentos em análises de solo, podas, adubações e outras
rotinas com assistência técnica da Casa do Adubo.
Claudio
Coimbra nota que o grande diferencial dessa proposta, tanto do encontro como do
trabalho que desenvolvem, é o aspecto demonstrativo. “O ver para crer, estamos
sempre abertos a análises com critérios e críticas. As datas são planejadas para
coincidirem com o início das safras regionais, possibilitando as visitações nas
lavouras, o “Dia de Campo”, como chamamos, e também o acompanhamento da evolução
dessas áreas demonstrativas”, destaca o produtor.
“Os
produtores sempre foram o nosso principal alvo, acompanhamos todo o processo.
Resistências foram vencidas e os resultados positivos e multiplicadores falam
por si, hoje não há quem não admire o sucesso do negócio ou não almeje os ganhos
concretos e comprovados”, completa Coimbra. Ele afirma que Rondônia tem clima,
terra e vocação para a produção de cacau a Sol pleno, possibilidades de
reflorestamentos com cacau e mercados para escoamento total do cacau, com valor
agregado.
Segundo
dados dos organizadores do encontro, mais de 350 produtores de toda a região
cacaueira estiveram presentes, tanto na visita de campo como na apresentação dos
dados técnicos da Cooperativa Agrícola de Jaru-Cooaja. “Muitos desses produtores
acompanham e contribuem para a recuperação da atividade desde o primeiro
Encontro da Lavoura do Cacau há 4 anos”, comenta Coimbra. Entre os participantes
do encontro, havia formadores de opinião, autoridades municipais, Secretarias de
Agricultura, representantes de colégios agrícolas e representantes das
Indústrias moageiras como a Indeca e Cargill.
Importância
do encontro para os produtores- A Indeca sempre esteve ao lado dos produtores de
Rondônia e, em todas as oportunidades, destacou a importância da recuperação
econômica das lavouras e a necessidade de trabalharem juntos, com eficiência e
foco na qualidade das mesmas e valorização do trabalhador do cacau. “Sempre
apoiamos a iniciativa da Casa do Cacau e Casa do Adubo. Buscamos demonstrar como
a indústria trabalha e como funcionam nossos processos de qualidade e métodos de
pesquisas. No encontro, levamos amostras do cacau já processadas, como: nibs de
cacau, massa de cacau, torta e manteiga de cacau e chocolates. Fazemos também
apresentações de vídeos e debates sobre padrões de amêndoas, dados sobre o
mercado de cacau e as necessidades e exigências da indústria e do consumidor
final”, complementa Kátia.
A analista
de mercado afirma que os produtores, em geral, são pouco ou nada atendidos na
suas necessidades de assistência técnica efetiva ou recursos, como
financiamentos. “O isolamento e perdas acumuladas já ocasionaram bastante
abandono da atividade de manejo e plantio de cacau na região, inclusive provocou
a derrubada de árvores adultas, esquecidas e desprezadas em seu potencial
econômico e ambiental”, denuncia.
Kátia ainda
destaca que os encontros técnicos e demonstrativos de viabilidade econômica da
lavoura ocorridos em Rondônia, bem como a facilidade de acesso a todos
indiscriminadamente, devolveram a confiança aos produtores, projetaram, para
cada um, a possibilidade de retomarem os trabalhos em suas lavouras de cacau, a
maioria delas já formada há mais de 25 anos. E ainda conquistaram novos
investidores e novos plantios fundamentados em boas práticas, técnica e
sustentabilidade,econômica, social e ambiental.
“Esses
encontros, fruto da iniciativa privada e do esforço pessoal de Claudio e filhos,
fortalecem a atividade como um todo, influem na criação de novas linhas de
crédito produtivo, junto às instituições financeiras e de fomento,
possibilitando maior visibilidade a toda a cadeia produtiva envolvida direta ou
indiretamente com o cacau”, finaliza Kátia Menezes.